Meus lábios ao juntarem-se colam
procuram, em teus olhos, o brilho da vida.
Um riso teu e os homens sonham,
encontrando a sensação perdida.
Pudesse eu abraçar teu corpo
aquecer-me nele no inverno,
acaricia-lo com um leve sopro,
mostrar-lhe o paraíso e o inferno.
Na verdade, nem sei porque te adoro
mas ao olhar-te o sonho acontece.
Tu choras e também eu choro,
tu rezas e eu sou a tua prece.
Como é estranha a natureza.
A mim, fez-me como sou
e a ti deu-te a beleza
da primavera que passou.
Desculpa, desabafei por desabafar,
mas cá dentro dói-me a alma
e teu riso impede-me de chorar.
Assim volta meu espírito à calma
que lhe tirou teu doce olhar.
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